21 de jul de 2012

Epifania

Foi por decisão consciente, racional, que decidira simplesmente que não queria mais nada. Tentou conversar com algumas pessoas, aquelas que julgava mais próximas, e tentara convencer da sua sinceridade, mas fora em vão: como temia, julgaram que pedia atenção, que pedia elogios, que pedia o que quer que fosse.

Cansaço.

"I'll speak no more of my feelings beneath", lamentava a voz de Layne Staley, num looping, num clichê; lamentava comigo a má sorte que nos acompanhava toda vez em que nos arriscávamos a dizer o que sentíamos, o que sentimos.

Não precisava mais. Bastava sabê-lo, para si, compreendessem os outros ou não, quisessem saber ou não. Ou ainda, agora, mesmo querendo, permanecendo sem saber.

Era o momento em que percebia, afinal, o óbvio: que algumas coisas não lhe eram reservadas, e que havia, isso sim, de ir de encontro àquelas que sabia poder experienciar à plenitude, sem que houvesse alguém dizendo à esquerda ou à direita que não era o momento, que não era para ele, que não era, enfim.

Percebera, com alguma demora, que, no final, pouco era o que importava além do que descobrira de fato importar; e, se uma vez desvelado tudo o que a ele se mostrava, houvesse quem acompanhasse, tanto melhor; se não, seria uma estrada pela qual valeria aventurar-se, ainda que acompanhado apenas por seus próprios pensamentos.



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Publicado por Renato Alt

Um comentário:

Nanda Castro disse...

É... Nós somos nossa melhor e pior companhia, mas, no fim, é a única que podemos contar.
Bjo!