20 de ago de 2012

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Uma hora a menos aí, eu sei.

A noite aqui corre solta sobre mim. Tento fugir do sono, sabendo que trará, se a ele me entregar, uma daquelas manhãs onde coisas demais acontecem, onde pessoas demais acontecem, onde há tanto a fazer e a pensar e a agir que temo que seu rosto fique relegado a um canto do pensamento,  para onde preciso esforçar-me para chegar, e que, mesmo chegando, de onde sou logo arrancado por alguém que precisar de mim para uma coisa ou outra.

Como quisera que essa hora a menos fosse tudo o que me separa de você. O mundo, esse não; esse sei que mais do que qualquer um torceria por deixar-nos juntos: você quer conhecê-lo tanto quanto eu, importa-se com as mesmas coisas, empolga-se ante as mesmas perspectivas e mesmo ante as dificuldades, sabendo que, dias depois, serão mais histórias a dividir.

Hora à frente, me preparo para dormir. Talvez não devesse pensar em você da maneira como penso; talvez isso faça de mim uma daquelas pessoas das quais as outras dizem mal, julgam mal sem ao menos ouvi-las. Mas há o que se possa de fato fazer quando já não é a razão quem dita as regras e sim aquele algo sem nome, que ferve além do que podemos evitar, e que se esgueira pelas brechas da legitimidade tentando encontrar chão?

Hora a menos onde você está. Tudo bem. Talvez seja isso o que precisamos: que eu lhe espere uma hora a mais para, daqui, seguirmos juntos.


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Publicado por Renato Alt

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