17 de out de 2012

polímato

De repente percebeu-se como alguém que não deveria ter amigos.
Não que quisesse que assim fosse, não que rechaçasse aqueles que vinham estar consigo; mas estes, aos poucos, mostravam-se distantes demais da realidade que ele enxergava, mostravam-se incapazes de compreender (e ele sabia, não por própria culpa) o que almejava: e isto estava além, estava em outra esfera, em um universo incapaz de coexistir com tudo aquilo com que crescera.

Via enfim que a vida tornara-se outra coisa.


Mas havia que ser feito.

E lutara, como não? Lutara como quem não quer que seja assim, como quem não quer ser arrancado de sua existência conformista e confortável, como quem não pensa trocar o ar-condicionado nas noites quentes por uma rede contra mosquitos em um lugar do qual ninguém ouvia falar.

Ele estava ali frente à tela do computador, e via fotos, e via amigos, e via realidades passadas, e via sorrisos e elogios e cumplicidade com as quais, em sua maioria, não se identificava mais.

A vida, agora, era outra coisa. Era outra coisa, que ele não conseguiria conceber meses atrás.

Mas há que seguir adiante: muitos são os propósitos, e subitamente a própria existência tornara-se maior do que ele próprio: e tal sensação não pode, não admite, ser negligenciada.

Não importa.
Há que ser maior do que aquilo que descreve.

E segue, contando os dias, contando aqueles que vêem como ele vê: muito além do que alcançam os olhos.

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Publicado por Renato Alt

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