1 de out de 2012

Salmo

Que se dê eu logo vá, e logo faça, e logo realize, e logo retorne.

Que se dê que os que ficam permaneçam como estão, ou ainda, que sigam muito mais além, mas que não sejam estranhos quando eu voltar, ou ainda, eu a eles.

Que o que se vier a fazer persista, perdure, evolua. Que encontre mãos que o remodelem sempre que o mundo remodelar a si mesmo, não para conformar-se, mas para estar sempre como precisar estar para ser notado, confrontado, aceito.

Que aqueles que, quando da minha volta, ficarem naquela terra, não me esqueçam, mas contem comigo mesmo quando houver toda uma novidade de coisas, e que seja minha palavra sempre aquela que vai orientar, emendar, resolver, e jamais a que vai provocar discórdia, ruptura, negação.

Que o retorno seja simples, e que o mundo não se tenha tornado território irreconhecível, que o deslocamento que sinto agora desapareça, desfeito por conquistas que o soterrem, que façam que sequer seja lembrado.

Que a memória jamais se apague, mas que se expanda: que possa abrigar cada pequeno gesto, cada pequena vitória, e que permita ser acessada para dar voz a qualquer uma delas, quando for o momento apropriado.

Que, seja onde for, a essência seja sempre a mesma.
Amém.

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Publicado por Renato Alt

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