15 de mar de 2013

17h30

Sim, é claro, também acho isso o máximo.
Mas, olha, não dá, né? Tenho aqui meus filhos, e meu emprego, e minha condição social, e meus amigos e meus parentes e meus colegas e minhas reuniões da Tupperware e meu contracheques e meu chefe que me diz que sou o modelo delas e as pessoas da empresa que me vêem como o que há e meu dry martini que me coloca pra dormir porque eu acho o máximo beber o mesmo que Sean Connery bebia quando era 007: shaken, not stirred.

Pessoas incríveis, nossa, abençoadas! Mas essa vida não é pra mim, porque preciso de três refeições quentes e de roupas da moda e de filmes no multiplex e conhecer o restaurante badalado e opinar sobre a nova safra daquele Pinot que, no final, não era grande coisa: mas apóio demais quem leva essa vida porque, uau, são pessoas diferentes e eu faço o que posso mas assim, desse jeito que fazem, não dá, faço diferença com minha vida do jeito que consigo, porque falo sempre das desigualdades enquanto espero que me sirvam outra taça de vinho.

Você viu aquela história que coisa horrível, morreram acho que sessenta pessoas, nossa, tenho um amigo que mora lá e que falou que foram mais que sessenta, pra você ver como são as coisas porque eu acho que são como ele me falou naquele email que mal teve tempo de mandar porque a luz estava pra ser cortada, mas caramba, que coisa, né?

Dá pra fazer o creme de papaya com sorvete de creme light?


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Publicado por Renato Alt

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