9 de fev de 2013

Little Boy

Foi assim, e não invento.

Sonhei que estávamos todos, em família, e que você, pai, construía mais cômodos, com as próprias mãos, e neles recebia pessoas que eu não conhecia, e não conheço, mas que mesmo assim não me importava.

Você fazia mais dois, três andares para a casa, mas nenhum deles tinha altura que nos permitisse ficar de pé; Era endereço na beira da praia, condomínio lindíssimo, mas ainda éramos os únicos a estar lá.


Sonho estranho, que não se explica por se ter feito sonhar.

E, de repente, estávamos os dois no carro, e como em cena de filme, aviões passaram ruidosos despejando bombas, feito papel picado no final do ano.

O que diz isso?

Fala-se que ninguém sonha com a própria morte. Também eu, não. Mas vi quando essas bombas caíam, e sabia porque caíam, ainda que, agora, nessa minha dita lucidez, não faça ideia: na verdade, questiono o que seria, afinal, lucidez.

Senti a angústia do inevitável, no período eterno e indefinível de tempo que nos reserva um sonho, e apertamos forte a mão um do outro; em seguida, sem estrondo, sem dor, tudo se tornou silêncio e luz.

Naquele infindável e etéreo instante, inexistente, irreal, fiz uma prece: uma angustiada evisceração de espírito que, num relance, se vê tão pequeno, tão diminuto: afinal, para o que é tudo?

Em resposta à tal prece, acordei.

O que diz isso?


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Publicado por Renato Alt

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