28 de out de 2013

Corolatos

Não sabia.
Mas, afinal, quem pode dizer?


Fora uma noite/dia que se antecipara a tantas: envoltas em medos, incertezas, dele; covardia, desmentida, escondida.

Afinal, quem pode dizer?

Agora coloca-se a água de um oceano, a poeira do tempo e a promessa obliterante de um recomeço, de novo alento, de algo que não se pensava mais possível, mas que despontava, insistente, no horizonte.

Do lugar onde de onde nada mais se enxergava, ele colocava-se de joelhos, sem forças para pôr-se em pé: sabia do tempo passado, sabia da sua imobilidade, sabia dos seus motivos que, por mais que explicados, jamais seriam compreendidos em sua plenitude. Colocava-se de joelhos, em cansaço e súplica, quando já não havia mais o que dizer, a não ser a esperança que seus olhos o transmitissem, ainda que esses buscassem, incansáveis, o chão.

Quem pode dizer?

Sabia não haver fórmula para o que apresentava-se; sabia não entender como lidar, como envolver-se, como trabalhar. Sabia, no entanto, que havia pelo que, e por isso colocava-se incansável e perdido entre afirmações infelizes, comentários inadequados, conclusões sinceras: e, como malabarista, esforçava-se para mostrar quais dentre tantas eram fiáveis.

Não esperava aplausos ao final. O que fazia, não fazia por algo que se deixa ouvir por meio minuto até se perder no infinito eterno do silêncio; fazia pelo sorriso que o compreenderia, e que seguiria com ele, aplaudindo ou não, até o final dos seus dias.


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Publicado por Renato Alt

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