22 de out de 2013

Evigilare

Conformar-se não se conformava, apenas via o estado de coisas e sabia-se impotente para mudá-lo.

Não que não houvesse tentado: tentara, e muito, e argumentou mostrando razões e porques, mas já não havia nos ouvidos dos outros qualquer disposição para entender o que lhes era dito; eram, e permaneciam, como sempre foram e permaneceram, sem pensar que era necessário mudar, e mais ainda, considerando afronta que propusesse tal coisa.

Em pé sobre a pedra branca e fria, na galeria onde não se podia ver o teto, construída há mais tempo do que a memória consegue alcançar, ele permanecia em frente ao Doze. E eles, os Doze, em suas formas imóveis, olhavam com seus olhares frios e eternos o pobre reverente em sua súplica.

Não sabia ele, o suplicante, que os Doze há muito não detinham os mesmos poderes de eras passadas, o mesmo fulgor de tempos esquecidos, o mesmo querer, saber e realizar que fizeram florescer e devastar civilizações das quais sequer se ouvira falar.

Sobre a pedra branca e fria, cercado por paredes infinitas e teto insondável, a súplica pairava no ar, incerta do caminho a seguir. As imagens de cada um dos doze, recobertas por limo e descrença, fingiam não disputar a posse dela.

Houve um estrondo, então; inaudível, mas sentido, feito a erupção de um vulcão pensado extinto: e o pensamento feito súplica tornou-se pedido ouvido; era mais do que o suplicante, em sua descrença, esperava.

Ainda não era sinal de mudança: mas, ao menos, havia esperança.


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Publicado por Renato Alt

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