4 de nov de 2013

Cachão

E com a desilusão, faz-se o quê?

E com a desilusão, velha conhecida, faz-se o quê?

Há aquilo que em nós peleja para fazer acreditar que o agora, o novo, é de alguma forma diferente: mesmo que, como Dom Quixote, enxerguemos dragões em moinhos de vento.

Mas se não os enxergarmos, pelo que lutamos?

Antes a peleja pelo que não se pode tocar do que o conformismo da indiferença; antes a fatiga da luta inglória que o engordar pelo sedentarismo. Antes vermo-nos cansados e carecas e cambaleantes e alienados do que petrificados na certeza absoluta e convicta de que nada mais poderia ser feito: a tentativa é, em todas as instâncias, mais gloriosa que o maior fracasso.

Há, é claro, aqueles dias em que somos, a nós mesmos, insuportáveis, e quando nossos pensamentos parecem jamais silenciarem, e quando, naquele súbito descontrole, deixamos escapar palavras histriônicas que, uma vez proferidas, não têm volta: como a oportunidade perdida e a flecha disparada.

Resta a esperança do recomeço: se não para o mesmo fim, ao menos para um fim mais reluzente, onde algo de maior parece esperar ao alcance da mão.

Agora, já não reclamo os momentos perdidos; reclamo, muito, aqueles que espero vir.


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Publicado por Renato Alt

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