18 de nov de 2013

Sopor Aeternus

Quando a pequena porta foi aberta, mal se podia enxergar o que havia lá dentro. O cômodo, pequeno demais, abrigava o que parecia ser uma barbearia, há muito não usada. A chama de uma pequena vela bruxuleava imprimindo sombras na parede que, por algum motivo, lembravam o mar.

O mar, no entanto, estava longe demais.

Quando a pequena porta foi aberta, mal se podia enxergar o que havia lá dentro. O cômodo, pequeno demais, abrigava o que parecia ser um quarto, improvisado, imprevisto, improvável. A chama de uma pequena vela bruxuleava imprimindo sombras no chão, cobrindo vez ou outra com uma nesga de luz o cobertor puído que estava sobre aquilo que não era mais do que uma sugestão de cama.

Quando a pequena porta foi aberta, mal se podia enxergar o que havia lá dentro. O cômodo, pequeno demais, abrigava o que era o final de uma história desconhecida. A chama da vela, já cansada de tanto mostrar, mantinha-se heróica, única testemunha de um estertor solitário, única remanescente de um velório vazio; das outras, há muito apagadas, restavam somente de cera, gotejando da mesinha para o chão: as únicas lágrimas vertidas pelo corpo sem nome.

(Ao jovem desconhecido | ? - 15 de novembro de 2013, Dakshin Barasat, Índia)


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Publicado por Renato Alt

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