7 de jan de 2014

Dacriocisto

Passara o tempo que pontuava, que determinava indeciso o que havia de acontecer. Fora o tempo da confusão, do medo, por que não? Sempre fora de sua natureza, sabia, a inconstância, embora carregasse, nos olhos e ombros, ambição desmedida.

Passara o tempo e se afirmava insolúvel, e o era, já que dele se bradava o irremediável, o imperdoável, a dor nutrida e acariciada como bicho de estimação, insaciável por lembranças e possibilidades.

Era o tempo que apontava adiante, que escrevia mesmo sem conhecer, sem pretender, acolhido por noites sem fim sob cobertores solitários, preguiçoso demais para lançar-se ao desconhecido. Era o tempo que permanecia pétreo, imutável, irascível, esmagando com seu peso os verbos a conjugar, esmagando com seu peso qualquer fôlego e voz.

Era o tempo, e se foi, levando então consigo aquele tanto de futuro.


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Publicado por Renato Alt

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