4 de mar de 2014

Anfiguri

Braços abertos, olhos fechados, entrego-me ao vento, ao vão, ao sussurro incompreensível dos carros e do burburinho, a cidade como organismo vivo, enquanto parto apressado em sua direção.

Ao passar, penso ver olhos curiosos, mesmo estando os meus fechados; Penso ouvir o que dizem, penso enxergar surpresa, embora essa, talvez, seja apenas a expressão de uma vontade.

E essa vontade, agora, inexistente em sua abrangência, leva-me ao fim de tudo, à obliteração, ao oceano de calmaria que, em sua profundidade, guardar-me-há em silêncio, mantendo em sigilo minhas vontades e afetos.

Entrego-me ao vento, ao vão, ao sussurro: que siga ininteligível, assim como tanto mais o foi.


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Publicado por Renato Alt

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