20 de mar de 2014

Latência

Voltara, então, para o lugar de sempre; e já não se via onde estivera, já não se reconhecia nas palavras das pessoas, ou em seu riso, ou em sua companhia.

Pensava em noites passadas, e do quanto pareciam distantes; tinha em mente as coisas simples, os pequenos prazeres, a imensa lacuna deixada por algo sem nome, que nem sequer sabia fazer parte de si, e cuja falta agora era obrigado a sentir.

Perdia-se no meio das conversas que nada diziam, escondia-se atrás do sorriso ensaiado e ansiava pelos momentos sozinho: ainda que sem entender-se, ao menos não precisava explicar-se.

Procurava, entre fotos e memórias, umas tantas partes de si; mas as sabia deixadas pelo caminho, espalhadas mundo afora; sonhava com o dia em que seguiria de novo, e buscaria cada uma, e espalharia outras mais.



•••
Publicado por Renato Alt

Nenhum comentário: