15 de set de 2014

Poco Rall

Ele parou ao chegar à encruzilhada, certo do caminho a seguir.
Mas veio a noite, veio o vento e veio o frio; vieram fantasmas e vieram vozes silenciosas.

Distante, a cidade se fazia ouvir, gritando por atenção em meio à bruma perturbada de buzinas e vozes e gatos e pessoas perdidas e luzes de neon.

Era a encruzilhada, e ele parara, ainda que se imaginasse resoluto até então.
O que vinha à cabeça era, apenas, ruído e confusão.

Perguntou-se as perguntas incômodas, lembrou daqueles que ficaram pelo caminho, dos tantos que apontaram tantas direções, e do quanto estavam errados quanto ao que pensavam, e de como caíram por terra tão logo a estrada se abrira.


E lembrou de como ela, a estrada, aberta como ficara, engoliu-os um a um, para nunca mais serem vistos.

De onde olhava, agora, tornava-se novamente claro: eram eles, afinal, que apontavam o caminho.


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Publicado por Renato Alt

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